Thursday, June 18, 2015

Projeto Aula Viva em escolas da cidade de São Lourenço

Ex- combatentes participam de projeto-piloto que leva às escolas uma aula interativa e diferente



Sexta-feira, dia 12 de junho, os alunos do Colégio Laser Solar dos Lagos tiveram uma aula diferente. Um projeto-piloto, idealizado pela escritora Gislene Vilela, colaboradora do jornal Correio do Papagaio, foi realizado com muito sucesso.
Os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, que estudam sobre a 2ª Guerra Mundial, participaram de uma aula viva, com depoimentos das experiências vividas pelos
ex-combatentes e ainda uma exposição de alguns objetos: medalhas, cartas, livros, jornais, uniforme, fotografias, mapas, documentos e textos. O tenente coronel Leonel Junqueira (100) discorreu sobre os fatos mais importantes que contribuíram para a participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial, durante a sua palestra “Por que fomos à Guerra?”.
Os alunos comentaram que a aula foi inesquecível, pois saiu da teoria, da aula fria e tiveram uma aula viva, com vida.
O evento contou com a participação do coronel Ivan J. Miranda (FAB); do subtenente Nilton da Silva Batista, chefe de Instrução do Tiro de Guerra 04-024; de Newton Barbosa, diretor geral do Colégio Laser; filho de Ocimara Ribeiro Barbosa (in memoriam), enfermeira da FEB; ex-combatentes e alguns convidados.
A abertura da solenidade aconteceu na quadra da escola, com um momento cívico para todos os alunos do turno da manhã e com um emocionante depoimento do ex-combatente 3º Sargento Antônio de Oliveira Rezende (92).
“O projeto tem o mérito de resgatar a importância da FEB na 2ª Guerra mundial. E partindo do testemunho de pessoas que ainda estão vivas. Vivas não só no ponto de vista físico, mas vivas com lucidez, com experiências para transmitir bons valores aos jovens daqui de São Lourenço e quem sabe até da Região que podem se beneficiar do projeto” ressaltou o professor de história Evaldo Carlos da Silva.
“É um projeto que acrescenta para todos. Para os alunos conhecerem um pouco da nossa história e também para os ex-combatentes, que hoje são idosos, ter um momento de interatividade muito significativo com os jovens”, explica a organizadora do projeto, Gislene. “Esse evento mudou completamente a rotina dos ex-combatentes, foi um momento de grande importância na vida deles, de receber esse reconhecimento, de serem úteis e poderem passar esse tipo de informação”, complementa.


O projeto Aula Viva nas escolas


O projeto de realizar aulas com interatividade, palestras e ainda exposição de elementos visuais para as Instituições de Ensino surgiu de um trabalho realizado no início do ano, com o foco nas comemorações dos 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial.
Gislene Vilela, ligada ao universo da Força Expedicionária Brasileira (FEB) desde pequena e autora do livro “Um convite para a vida”, pesquisou durante dois meses sobre ex-combatentes e familiares que tiveram vínculo com a cidade de São Lourenço e fez uma reportagem exclusiva para o Jornal Correio do Papagaio com o título: “70 anos da Força Expedicionária Brasileira são relembrados por ex-combatente centenário”. 
“É um projeto cujo objetivo é levar às Instituições de Ensino os veteranos que combateram na Campanha da Itália durante a 2ª Guerra Mundial na defesa da Pátria, para que os estudantes tenham experiências únicas contadas pelos ex-combatentes, resgatando um fragmento da história do Brasil que, infelizmente, ainda é pouco conhecida pelos brasileiros”, explica Gislene.
A autora e repórter apresentou o projeto para Newton Barbosa, diretor geral do Colégio Laser Solar dos Lagos que se interessou em realizar o projeto-piloto.
Após o grande sucesso desta iniciativa, realizada dia 12, tanto do ponto de vista dos alunos, como dos professores e dos veteranos, a proposta é dar continuidade e levar o projeto para outras escolas que tenham interesse em recebê-lo.
“É muito importante o contato dos ex-combatentes com os jovens, porque estão contando as suas experiências e os adolescentes aprendem mais com os relatos”, afirma o subtenente Nilton da Silva Batista, chefe de Instrução do Tiro de Guerra 04-024 e espera que o projeto seja difundido em mais escolas do município.
“É uma oportunidade única para os estudantes poderem experienciar uma aula viva, com relatos na primeira pessoa e transformar o aprendizado deles sobre este momento tão importante da História brasileira”, conclui Gislene Vilela e revela em primeira mão que está sendo realizado um documentário sobre a Força Expedicionária Brasileira.

Thursday, May 14, 2015

Movimento underground une forças no Arena da Rima em São Lourenço

União de MCs de diferentes cidades da região mantem viva a cultura de rua, em evento gratuito na Praça da Federal


A 7ª edição do Arena da Rima aconteceu no último sábado (9), na Praça Humberto Sanches. O evento começou as 18:00h, com competição de Skate e Batalha de MCs, além da apresentação de Arcanjo Ras, artista convidado de São Paulo. A participação nas competições é gratuita e os vencedores ainda ganham prêmios.
“O objetivo é promover e divulgar gratuitamente a cultura urbana, através das batalhas e dos shows e incentivar o interesse pela leitura e esporte”, explica João Junior, educador e agitador cultural e um dos organizadores do Arena.
O artista convidado da vez veio diretamente de São Paulo. Arcanjo Ras trabalha com música desde 1997 e suas influências vão do Reggae, Rap, Soul, Blues e Jazz. Seu estilo natural e inovador contagiou o público do Arena da Rima que cantou e dançou ao som das suas músicas e após o show o artista ainda passou uns dias na cidade, gravando músicas em parceria com artistas locais.
“O fato de ter eventos como esse, além de dar oportunidade para os artistas apresentarem seu talento, acaba também estimulando e descobrindo novos artistas que nem mesmo conhecem seu dom”, explica João Junior.
Nesta edição participaram MCs de Três Pontas, Três Corações, Aiuruoca, São Paulo, São Lourenço, Passa Quatro e outras cidades da região e o vencedor da batalha de MCs, em ambas as categorias – Duelo de Tema e Duelo de Fogo - foi Léo Vinicius, de Três Corações. O vencedor do Game of Skate Mirim foi Davi José de São Lourenço e na categoria Iniciante venceu Neto Skateboard, de Caxambu.
Com a participação sempre crescente de artistas e público da região, o movimento ganha forças e se consolida. “O fato da interação com outras cidades só fortalece o movimento, dando espaço pra novos talentos se apresentarem e se descobrirem”, explica João. “Muitas vezes acontece dos artistas passarem anos sem uma oportunidade em sua cidade para estar se apresentando, sem incentivo e apoio para poder crescer”, exalta o educador.
A realização do Arena é do MIRA (Movimento Independente Resistência e Arte), em parceria com o Estúdio Ponta de Flecha. Esta edição contou com o apoio da Diretoria de Cultura Municipal, da empresa de vídeo HD Rodrigo Rosa, da loja Grito Urbano e da loja Boca do Oriente, do Rio de Janeiro. 




Vencedores Arena da Rima Battle #7
Game of Skate Mirim:1º lugar – Davi José (São Lourenço)
2º lugar – Matheus Rodrigues (São Lourenço)
3º lugar – Bruno Barreiros (São Lourenço)

Game of Skate Iniciante:1º lugar – Neto Skateboard (Caxambu)
2º lugar – Bruno Henrique (São Lourenço)
3º lugar – Alessandro Junior (São Lourenço)

Duelo de Temas:1º lugar – Leo Vinicius (Três Corações)
2º lugar – Willjay (Três Pontas)

Duelo de Fogo:1º lugar – Leo Vinicius (Três Corações)
2º lugar – Nabru (São Lourenço)


Regras de Batalha e Fundamentos da Arena Da Rima
1- Usar das palavras sem citar palavrões, expressões racistas, ou qualquer forma de preconceito;
2- Finalizar a rima dentro do tempo estabelecido pela batalha;
3- RESPEITAR A DECISÃO FINAL DOS JÚRIS;
4- Não usar de violência no campo de batalha, toda forma de duelo deve ser manifestada em forma de RITMO e POESIA;
5- O propósito de todo participante deve ser focado na expressão da arte e na cultura de rua;
6- Manter silêncio no tempo da rima do adversário;
7- O desrespeito à qualquer uma das regras resultará a perda do round.

Thursday, May 7, 2015

“Juntas tocamos o Céu” é um evento para mães que perderam os seus filhos

No Dia das Mães, domingo, dia 10 de maio, será realizado um encontro de sensibilização na Praça Brasil


Foto: Projecto Ártemis

O Dia das Mães é um dia de celebração do amor materno. É também um dia de tristeza e dor para quem perdeu um filho ou uma mãe, pois não tem com quem celebrar a data e a perda é enfatizada pelo clima de celebrações.
Carla Fernandes Brito, idealizadora do evento em São Lourenço, é uma dessas mães. “Perdi o meu filho há três anos e esta é uma data que para nós é muito triste”, conta.
Desde que perdeu o seu filho, Carla participa de um grupo chamado “Projeto Ártemis”, de Portugal.
Lá nasceu a iniciativa “Juntas tocamos o Céu”, que pretende promover a sensibilização à perda, unindo outras mães que passaram pelo mesmo para que juntas se fortaleçam.
Carla decidiu realizar o evento pela primeira vez em São Lourenço, no próximo domingo, no Dia das Mães.
“Em Portugal é para as mães que perderam o filho durante a gravidez. O evento daqui não tem restrições, será para todas as mães que perderam filhos em qualquer idade e também para os filhos, que perderam as mães”, explica.
Segundo Carla, muitas vezes elas não são lembradas como mães ou não são reconhecidas como tal, por não terem mais o filho presente, o que torna o pesar nessa data ainda maior.
“A dor de cada uma mostra que juntas somos mais fortes”, exalta Carla.
O evento será às 15h, com concentração na Praça Brasil, para todas as mães que perderam os filhos ou para os filhos que perderam as mães.
Será passada uma mensagem para cada participante e serão escritas mensagens para os entes queridos e soltas em balões. Os balões terão cores distintas: azul simbolizando os filhos meninos; rosa simbolizando as meninas; brancos para os que não sabiam ainda o sexo do bebé; e vermelho para as mães.
Segundo Carla já há a confirmação de cerca de 30 mães e será aberto um espaço para quem quiser contar um pouco da sua história.
Para participar é só estar na praça Brasil, no domingo, a partir das 15h.
Mais informações: (35) 8432 – 2508 / Facebook: Carla Fernandes Brito.

Thursday, April 30, 2015

“Telhas nas coxas” com mais de 100 anos encontradas em Área de Preservação Ambiental

Antiga Fazenda Sharp (São Lourenço) será sede da ONG Arara e durante limpeza do terreno foram encontradas as telhas históricas


Foto: Acervo Ong Arara

No dia 18 de abril, enquanto era realizada uma limpeza do terreno onde será construída a sede da ONG Arara foram encontradas telhas cerâmicas do tipo romana, da época colonial, também conhecidas por “telhas nas coxas”. A expressão vem da antiga lenda que diz que eram fabricadas nas coxas dos escravos, por serem telhas com diferentes tamanhos e qualidades, moldadas de uma forma mais simples.
Robert Ricceli Oliveira, gestor ambiental e presidente da ONG Arara, foi quem encontrou as telhas e afirma ter ainda muito mais história a ser descoberta naquele local. O terreno, que tem 42 hectares, é o local da primeira construção de São Lourenço e também da primeira fonte de água, a Fonte Viana.
Todos os objetos históricos encontrados na fazendo irão fazer parte do acervo da ONG e serão expostos na sede, para visitação, garantiu o gestor ambiental.

Um breve histórico da Fazenda Sharp 
Fotos: Acerco Ong Arara

Segundo a história levantada pelo presidente da ONG, dona Miguela Imenes e seu marido Bruno foram os primeiros proprietários da fazenda e moravam numa casinha aos fundos do terreno, onde foram encontradas as telhas. Há relatos de que viveram ali até o ano de 1906, quando aconteceu a enchente, também conhecida por “ a grande de 1906”. Por isso, Robert acredita que as telhas devem ter no mínimo 100 anos.
Após a morte de Bruno, a fazenda foi vendida a Antônio Francisco da Costa Ramos Sharp e, após o seu falecimento, permaneceu cerca de 20 anos desativada. Foi então incorporada pela Prefeitura e posteriormente levada a leilão. A Empresa de Águas São Lourenço arrematou o terreno, que passou para a Perrier e atualmente para a Nestle.
Em 2003, o Casarão (construído entre 1906 e 1910) foi tombado pelo Patrimônio Histórico de São Lourenço, através do Decreto Municipal Nº 1.940/2003. Nele passou a funcionar a Casa da Cultura, mas após transferência da Casa da Cultura para a Estação de Trem, o Casarão passou a sofrer com ação de vândalos e das intempéries. Com a falta de manutenção, o Casarão foi destruído, restando apenas ruínas da primeira construção de São Lourenço. Foi instaurado pela Nestle um processo por ato lesivo ao Patrimônio que tramitou na Justiça e apenas foi sentenciado no início de 2015.
“Por se tratar de área de extrema importância nas recargas de águas minerais, por possuir valores ambientais e históricos e evitando a sua destruição, a ONG Arara iniciou os trabalhos para transformar a área numa Unidade de Conservação de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC)”, explica o presidente da ONG.
“Foram realizados consultas públicas, estudos e avaliações e em Dezembro de 2012, a área foi Decretada como Área de Preservação Ambiental Águas de São Lourenço, pelo Decreto Municipal Nº 4.385, onde foi feito um termo de Convênio com a ONG, que transferiu a Gestão do Local, pelos próximos 10 anos, renováveis por mais 10”, esclarece.
Apesar da ONG ser responsável pela gestão do local desde 2012, apenas agora com o final do processo que tramitava na justiça é que pôde começar os trabalhos no terreno.
Assim que saiu a decisão da justiça - que condenou como são responsáveis pela destruição do Casarão tombado, o então prefeito, Clóvis Aparecido Nogueira, mais conhecido por Nega Véia; o secretário de cultura, Natanael Paulino e Zélia Chagas, que substituiu Natanael na diretoria da Cultura -, a ONG finalmente começou os trabalhos no terreno.

A ONG Arara
A ONG Arara foi fundada em agosto de 2011 por um grupo de amigos, na época, alunos de gestão ambiental. A grande missão da ONG é a proteção dos animais silvestres, procurando atender 22 cidades da região, em parceria com a Polícia Ambiental.
A ONG pretende finalizar ainda em 2015 a construção da sede e ativar os trabalhos da Associação. “Teremos um centro de triagem de animais silvestres, espaço para educação ambiental, trilhas educativas e futuramente até um serpentário”, afirma Robert. O objetivo, além de realizar o trabalho de resgate, reabilitação e cuidados com os animais silvestres, é também criar um novo ponto turístico na cidade, que proporcione ao visitante experiências ao ar livre, que o aproxime da natureza e dos animais.
A ONG terá também um viveiro de mudas nativas e um centro de compostagem, e ainda terá uma grande biblioteca na sua sede, onde irá colocar o seu acervo de 7 mil livros sobre fauna, flora, biodiversidade, meio ambiente, que já dispõe.
Para o presidente é também muito importante a parceria com outras entidades do terceiro setor, como os escuteiros ou o grupo da terceira idade, para que todos em conjunto ajudem na preservação do terreno.
O terreno de 420 mil metros2 onde será a sede da ONG tem 120 mil metros2 de área de recarga e 230 mil metros2 de mata nativa e é hoje uma Área de Preservação Ambiental.
Para conhecer mais a ONG e os seus projetos visite o site: www.projetoarara.org.br

As “telhas nas coxas”
Foto: Acerco Ong Arara

O uso de telhas cerâmicas foi generalizado no Brasil desde o início da colonização. A expressão “telhas nas coxas” nasceu devido à simplicidade, ausência de padronização e diferenças de qualidade na fabricação das telhas, que remetia à ideia de que seriam moldadas nas coxas dos escravos.
Um ensaio realizado pelo arquiteto José LaPastina Filho, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, intitulado “Eram as telhas feitas nas coxas das escravas?”, apresenta um estudo sobre a origem dessa expressão popular.
Em seu ensaio o autor escreve que pela “não padronização e as diferenças de qualidade entre os incontáveis fabricantes acabaram por originar a expressão popular, de cunho pejorativo e racista, ‘feita nas coxas dos escravos’.”
Após estudo das técnicas de produção dessa telha, José LaPastina chega à seguinte conclusão: “Para confirmar nossa convicção das inconsistências da assertiva popular – telhas feitas nas coxas dos(as) escravos(as) – tomamos as medidas das coxas de um homem de 1,80m de altura e verificamos que, usando-a como molde, só seria possível a fabricação de uma minúscula telha de 36cm de comprimento. Sem maiores preocupações com aspectos de anatomia humana, se estabelecermos uma simples regra de três, poderemos verificar que, para fabricar uma telha de 77cm, precisaríamos contar com um escravo de 3,95m de altura”.
O estudo pode ser lido na íntegra no link:

https://iphanparana.files.wordpress.com/2013/03/eram_as_telhas_feitas_nas_coxas_1_1.pdf